Ao longo dos últimos anos da história da igreja, muitos missionários têm sido esquecidos e abandonados. As consequências da falta de suporte missionário são profundas: enfraquecimento da
evangelização, ausência de discipulado consistente e abandono de campos missionários que dependem da presença contínua de obreiros dedicados.
Homens e mulheres deixaram sua pátria, familiares, amigos, oportunidades profissionais e conforto pessoal para viverem em terras estrangeiras anunciando o Evangelho aos povos. Entretanto, muitos
deles acabam impossibilitados de dedicar-se integralmente à missão porque suas energias são consumidas em trabalhos seculares necessários apenas para garantir a própria sobrevivência.
Quando a mais importante de todas as obras é realizada apenas nas sobras do tempo, ou através de um corpo cansado e de uma mente esgotada pelas exigências da sobrevivência diária, o resultado
jamais será o mesmo.
Talvez este seja um dos motivos pelos quais o islamismo avançou significativamente nas últimas décadas sobre regiões historicamente influenciadas pelo cristianismo. Aos missionários muçulmanos
não falta retaguarda financeira e estrutural para que se dediquem integralmente à propagação de sua doutrina. Eles possuem um propósito claro: não apenas alcançar pessoas, mas expandir influência
e domínio ideológico.
Biblicamente, os principais conselheiros e apoiadores da obra missionária deveriam ser os líderes espirituais das grandes instituições religiosas. Porém, infelizmente, isso também vem mudando
dentro do cenário decadente profetizado para os últimos tempos:
> “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos...”
> — 2 Timóteo 3:1-5
Muitas igrejas, concílios e convenções estão ocupados com outras prioridades e acabam negligenciando a evangelização mundial e os missionários que atuam nos campos.
Missões exigem investimentos, sacrifícios e desprendimento. Sustentar missionários significa, muitas vezes, despojar igrejas estabelecidas para possibilitar o nascimento de novas igrejas em
lugares onde ainda não existe uma comunidade cristã estruturada.
A matéria-prima inicial do campo missionário são pessoas não convertidas — incrédulos, agnósticos, indivíduos sem qualquer compreensão sobre mordomia cristã, contribuição ou sustento ministerial.
Até que essas vidas sejam alcançadas, discipuladas e transformadas, o missionário precisa investir tempo, lágrimas e dedicação contínua.
Se líderes religiosos estiverem absorvidos por campanhas políticas, interesses institucionais, festas, disputas internas ou desejos materiais, dificilmente desejarão que suas igrejas sejam
despojadas para sustentar a expansão missionária.
O apóstolo Paulo testemunhou esta realidade quando escreveu:
> “Outras igrejas despojei eu para vos servir, recebendo delas salário...”
> — II Coríntios 11:8-9
As igrejas da Macedônia compreenderam o valor do Reino de Deus e sustentaram Paulo enquanto ele implantava a igreja em Corinto.
Felizmente, ainda existem pastores e líderes que fazem a diferença e permanecem comprometidos com a causa missionária. Muitos deles têm estado ao lado de nossa missão desde seus primeiros anos,
oferecendo conselho, apoio moral, ajuda prática e sustentação espiritual.
Entretanto, o crescimento da degradação moral e espiritual, aliado ao apego exagerado às coisas materiais, tem afastado recursos que poderiam alcançar os campos missionários. Grandes volumes
financeiros circulam diariamente em muitas instituições religiosas, mas pouco chega aos lugares onde vidas estão perecendo sem Cristo.
Isso gera consequências temporais — sofrimento, abandono e miséria — mas também consequências eternas e irreversíveis sobre aqueles que morrem sem ouvir o Evangelho.
Por isso, precisamos urgentemente reunir crentes, ministros e colaboradores comprometidos com a evangelização mundial — homens e mulheres apaixonados pelas almas, dispostos a obedecer ao IDE de
Cristo.
Precisamos tanto daqueles que vão quanto daqueles que permanecem na retaguarda sustentando, aconselhando, influenciando e fortalecendo os que saíram para evangelizar as nações.
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O QUE FAZ UM CONSELHEIRO DE MISSÕES?
Vivemos na era dos influenciadores digitais. Pessoas conseguem atrair milhões de seguidores através de ideias, opiniões, músicas, estilos de vida e conteúdos diversos.
Muitos desses influenciadores sequer possuem referência moral ou coerência ideológica. Ainda assim, conseguem mobilizar pessoas e recursos para aquilo que promovem.
Querendo ou não, um influenciador também exerce papel de conselheiro, pois influencia pensamentos, decisões e prioridades.
Nós desejamos que os conselheiros de nossa associação missionária utilizem sua influência para despertar outros crentes para a realidade missionária.
Desejamos homens e mulheres que promovam palestras, compartilhem informações, mobilizem igrejas e apresentem aquilo que a missão realiza tanto na evangelização quanto na assistência humanitária.
Nossa missão atua em ambientes de extrema necessidade, incluindo regiões afetadas por guerras, fome, deslocamentos humanos, ciclones e catástrofes naturais.
Em Mieze, Moçambique, por exemplo, um ciclone destruiu nosso espaço de adoração e devastou toda a região, atingindo inclusive as casas de obreiros, membros e congregados.
Um conselheiro missionário ajuda a levantar apoio para necessidades como:
- construção de espaços missionários;
- compra de alimentos;
- aquisição de medicamentos;
- ajuda emergencial;
- assistência social;
- suporte aos missionários em crise;
- manutenção de projetos evangelísticos e humanitários.
Além disso, o conselheiro oferece ideias, participa das discussões diretivas e ajuda a encontrar soluções viáveis para tempos difíceis.
Um conselheiro de missões é alguém que decidiu servir a Jesus não apenas com palavras, mas também comprometendo-se com a expansão do Evangelho até os confins da terra.
É alguém disposto a sentir as dores do campo missionário e buscar soluções práticas para os desafios enfrentados pelos obreiros.
O verdadeiro conselheiro missionário permanece firme quando outros recuam.
Ele sempre possui uma palavra de encorajamento, discernimento e apoio no momento certo.
Que Deus abençoe os conselheiros e também aqueles que recebem seus conselhos e apoio.
Fraternalmente em Cristo,
Calby Paiva
Coordenador